10. CULTURA 16.10.13

	10.1 SERRA PELADA EM SO PAULO
	10.2 MACHADO ANTES DA FAMA
	10.3 EM CARTAZ  CINEMA - 350 FILMES EM 14 DIAS
	10.4 EM CARTAZ  LIVROS - A OBRA INACABADA DE JOO CABRAL
	10.5 EM CARTAZ  MSICA - TALENTOS A BORDO
	10.6 EM CARTAZ  TELEVISO - A CINCIA DO SEXO
	10.7 EM CARTAZ  TEATRO - VERDADES E MENTIRAS
	10.8 EM CARTAZ - EM CARTAZ  AGENDA - MODERNISMO/MONSTER OF ROCK/ELVIS
	10.9 ARTES VISUAIS - LUZ FRONTAL

10.1 SERRA PELADA EM SO PAULO
Para narrar a corrida do ouro no Par nos anos 1980, o maior garimpo a cu aberto do mundo foi reconstitudo com realismo e riqueza de detalhes nos arredores da capital paulista, reunindo 1.600 figurantes 
Michel Alecrim

FORMIGUEIRO HUMANO - Cenas do filme com Jlio Andrade e Juliano Cazarr, cujo cenrio foi criado a partir de fotos de Sebastio Salgado: pesquisa de cinco mil imagens e ajuda de 61 bombeiros para evitar acidentes nas filmagens 

O garimpo em Serra Pelada, no Par, ficou mundialmente conhecido pelas imagens de milhares de homens enlameados, cavando a terra em busca de ouro. Trs dcadas aps o auge da explorao no lugar, o mesmo formigueiro de trabalhadores subindo e descendo escadas com sacos nas costas reaparece na tela grande do cinema, s que inteiramente reconstrudo em So Paulo. Serra Pelada, que estreia no Brasil na sexta-feira 18, usou uma jazida de extrao de areia, em Mogi das Cruzes, nas redondezas da capital paulista, para reproduzir a famosa mina que hoje est parcialmente inundada. 

 O lugar passou por adaptaes para se parecer com a maior minerao a cu aberto do mundo e recebeu cerca de 1.600 figurantes. Um pano de fundo caro e trabalhoso para contar a histria de Joaquim (Jlio Andrade) e seu amigo Juliano (Juliano Cazarr), que, na histria imaginada pelo diretor Heitor Dhalia, partem da regio Sudeste em busca de riqueza.

Para dar vida ao cenrio gigantesco, integrantes da equipe do filme sobrevoaram, de helicptero, vrias regies do Pas em busca de um buraco de grandes dimenses que pudesse virar a locao. Encontraram a jazida na Minerao Caravelas, a 63 quilmetros de So Paulo, e passaram a trabalhar na transformao. Foi feito um trabalho de conteno na cava de 100 metros de profundidade, seguido de terraplanagem e colocao de escadas. O consultor ambiental Pedro Stech, que ajudou na empreitada, conta que o local escolhido era uma encosta muito ngreme, mas com um tipo de solo parecido com o de Serra Pelada. Para a perspectiva da cmera, perfeito. 

 Reportagens de tev e documentrios tambm pesaram na reconstituio. No incio, me perguntava por que ningum tinha feito esse filme antes. Somente depois fui entender o motivo:  uma produo complexa demais, afirmou Dhalia. Foram garimpadas mais de cinco mil imagens registradas na dcada de 1980, muitas delas pelas lentes dos fotgrafos Sebastio Salgado e Juca Martins. A semelhana entre elas e o que se v no cinema  espetacular. Para o bom resultado, em algumas cenas, de multido, lanou-se mo dos recursos de computao, garantindo o clima de formigueiro humano.

Estima-se que no perodo de maior efervescncia a cava tenha concentrado at 80 mil homens. A maioria saiu de l pior do que entrou porque perdeu a sade no trabalho insalubre. Por conta de desmoronamentos, cerca de 50 homens morriam por ano em Serra Pelada. O risco nas filmagens tambm existia e, para evit-lo, 61 bombeiros trabalharam como figurantes e garantiram a segurana, auxiliando na instalao da teia de escadas. A maquiagem teve papel fundamental para passar realismo. Foi utilizada argila em diversos tons, carvo, anilina, purpurina e at p de caf. Misturamos argila medicinal com protetor solar, que deu muito certo. No s pelo efeito, mas tambm para evitar queimaduras, conta o diretor de arte, Tul Peake. O diretor aposta que o pblico, muitas vezes, ter dvida se o que est vendo  material de arquivo ou reproduo atual.  impressionante como eles reconstituram o ambiente do garimpo. Parece o lugar de fato, afirmou o gelogo Breno Augusto dos Santos, 73 anos, que na poca era o gerente da ento Companhia Vale do Rio Doce, responsvel pela mina. Como todo mito, o filme ter um tanto de realidade e outro de iluso. As imagens de Serra Pelada me marcaram muito na infncia, disse Wagner Moura, que interpreta Lindo Rico, um explorador dos garimpeiros, e tambm participa da produo, cuja logstica e complexidade fizeram o oramento chegar a R$ 10,5 milhes.  


10.2 MACHADO ANTES DA FAMA
Vinte anos antes de se tornar um dos maiores escritores brasileiros, Machado de Assis era um crtico duro, atento e descontente com os rumos da literatura, como mostram alguns de seus textos ainda inditos, agora reunidos em livro 
Ana Weiss

Machado de Assis achava que o jornal era mais importante que o livro. Para ele, o impresso dirio refletia o movimento de uma nao, um coletivo vivo, enquanto o volume assinado seria uma obra esttica a espelhar a vida de uma s pessoa. No  de se estranhar, portanto, que a primeira escolha profissional de um dos maiores autores em lngua portuguesa de todos os tempos tenha sido o trabalho no jornal. Aos 20 anos, Joaquim Maria Machado de Assis recomendava e contraindicava obras em veculos cariocas como Correio Mercantil e O Espelho. 

Um levantamento recente desse material, realizado por pesquisadoras ligadas  Universidade Estadual Paulista (Unesp), mostra que a revoluo literria desencadeada pelo autor de Memrias Pstumas de Brs Cubas, livro de 1881, comeou a ser desenhada duas dcadas antes de Machado de Assis se dedicar ao romance, o gnero com o qual estabeleceu o realismo na literatura brasileira.

Negro, epiltico, pobre e autodidata, o escritor tornou-se rapidamente um crtico respeitado entre os crculos intelectuais dos anos 1850 e 1860. Ele era extremamente destemido nas suas opinies, no se furtando a discordar inclusive de amigos prximos que respeitava muito, como Jos de Alencar, diz a professora Slvia Maria Azevedo, uma das coordenadoras da pesquisa e autora do prefcio do livro Machado de Assis  Crtica Literria e Textos Diversos. Alguns estudiosos consideram a possibilidade de ele ter deixado a crtica justamente pelas dificuldades pessoais advindas do exerccio de opinar publicamente. 

A verdade  que, mesmo assumindo a profisso de escritor, nos anos 1870, Machado no abandonou o juzo pblico. O que ele fez a partir dos anos 1880, j autor estabelecido, foi praticar a crtica literria usando a pena do cronista, conclui a livre-docente em teoria literria na Unesp.

O jornal (...) tem a vantagem de dar uma posio ao homem de letras; porque  ele diz ao talento:Trabalha!Vive pela ideia, e cumpres a lei da criao! Seria  melhor a existncia parasita dos tempos passados, em que a conscincia sangrava quando o talento comprava uma refeio por um soneto? Machado de Assis, escritor

Um dos mais conhecidos alvos da lmina machadiana, Ea de Queirs tem nesta coletnea trs textos dedicados ao desmantelamento de seu O Primo Baslio. Na segunda crtica  novela, o escritor promete parar de falar da trama sobre a hipocrisia burguesa. Mas volta a ironizar o drama realista e seus sectrios em crnica sobre a montagem teatral do livro portugus, desta vez sob o pseudnimo Eleazar. Slvia Maria garante que essa  a primeira vez que o texto publicado originalmente na revista O Cruzeiro foi reimpresso. 

 E afirma tambm que, alm desse, so inditos em livro os discursos recuperados pelo levantamento  acompanhado por Adriana Dusilek, doutora em literatura pela Unesp, e Daniela Mantarro Callipo, doutora em letras pela Universidade de So Paulo.

O mais comovente deles  e redentor para quem ler de cabo a rabo as crticas   a fala de Machado na inaugurao do busto em homenagem a Jos de Alencar na Academia Brasileira de Letras, logo depois da morte do autor de Iracema, em 1891. Jos de Alencar foi uma espcie de dolo e mestre, de quem Machado, com a elegncia que marca, alis, toda sua obra crtica, discordou mais de uma vez. A sensao que recebi no primeiro encontro pessoal com ele foi extraordinria; creio ainda agora que no lhe disse nada, contentando-me de fit-lo com olhos assombrados de menino do Heine ao ver passar Napoleo, discursou em frente ao bronze. Anos antes, em 1868, ainda publicando no Correio Mercantil, Machado escreveu uma carta aberta a Alencar, dizendo no ter tido imitadores.

Tive sim um antecessor ilustre, apto para este duro mister, erudito e profundo, que teria prosseguido no caminho de suas estreias, se a imaginao possante e vivaz no lhe tivesse exigido as criaes que depois nos deu. Ser preciso acrescentar que aludo a V. Exa.? Alencar, ex-crtico, escrevera ao amigo carioca, enviando a obra de Castro Alves com os dizeres, Ao primeiro crtico brasileiro, confio a brilhante vocao literria que se revelou com tanto vigor.


10.3 EM CARTAZ  CINEMA  - 350 FILMES EM 14 DIAS 
por Ivan Claudio
As mais recentes produes assinadas por nomes consagrados do cinema mundial e as grandes apostas de novos talentos revelados nos festivais marcam ponto na 37 Mostra Internacional de Cinema em So Paulo, que ser aberta na sexta-feira 18. Durante 14 dias esto programados 350 filmes em cerca de 20 salas distribudas pela cidade. Para a abertura foi escolhido o novo trabalho dos irmos Coen, Inside Llewyn Davis, sobre a luta pelo reconhecimento profissional de um cantor folk na Nova York dos anos 1960. O encerramento ficou com outro peso-pesado: a homenagem do diretor italiano Ettore Scola ao amigo Federico Fellini no elogiado Que Estranho Chamar-se Federico  Scola Conta Fellini, que mistura material de arquivo com cenas sobre a vida dos dois diretores. Entre um e outro filme, um cardpio do que de melhor se produziu este ano nos cinco continentes.

+5 destaques da Mostra 
O GRANDE MESTRE (foto)
 A histria do treinador de Bruce Lee, Ip Man, interpretado por Tony Leung, o ator-fetiche do cineasta Wong Kar-Wai

ANA ARABIA  
 Filmado em um plano sequncia, o filme de Amos Gitai mostra a chegada de uma reprter a um povoado israelense

ILO ILO  
 Longa de Cingapura vencedor da Cmera de Ouro no Festival de Cannes. Narra a amizade entre uma empregada e o filho da patroa

3 X 3D  
 Jean-Luc Godard, Peter Greenaway e Edgar Pra assinam os trs episdios desse filme sobre o impacto da tecnologia 3D

LA JAULA DE ORO  
 Representante mexicano, de Diego Quemada-Dez, sobre dois jovens imigrantes guatemaltecos nos EUA


10.4 EM CARTAZ  LIVROS - A OBRA INACABADA DE JOO CABRAL
por Ivan Claudio
Antes de morrer, o poeta Joo Cabral de Melo Neto (1920-1999) entregou  sua filha Inez Cabral os originais com pesquisa e os primeiros esboos de um longo poema inacabado. Notas Sobre uma Possvel Casa de Farinha (Alfaguara) traz essas anotaes caligrafadas e o texto equivalente com indcios de que teria estatura pica de Morte e Vida Severina. O mote  o ltimo dia de trabalho numa casa de fabricao de farinha, com direito a um personagem chamado Doutor Sudene, responsvel pela decadncia dessa atividade.  


10.5 EM CARTAZ  MSICA - TALENTOS A BORDO
por Ivan Claudio
O disco Arca de No aportou nas vitrolinhas nos anos 1980 e mudou para sempre o conceito de msica para crianas no Pas. Na poca, pouco havia no mercado para o pblico infantil com qualidade equivalente aos divertidos e comoventes poemas de Vinicius de Moraes, musicados pelo parceiro Toquinho. Relanar esse material com novas vozes e arranjos foi um desafio que consumiu cinco anos de trabalho da produtora e filha mais velha do poeta, Suzana Moraes. Esto na moderna Arca navegantes do peso de Chico Buarque, Caetano Veloso, Zeca Pagodinho, Arnaldo Antunes e Marisa Monte interpretando a saga bblica dos animais recriada por Vinicius, que completaria agora 100 anos.


10.6 EM CARTAZ  TELEVISO - A CINCIA DO SEXO
por Ivan Claudio
H quem diga que eles so os culpados da revelao do orgasmo fingido por mulheres. Mas, muito alm de confirmar o que todos sabiam, as pesquisas de William Masters e Virginia Johnson representaram uma pequena revoluo de costumes no meio cientfico dos EUA nos anos 1950. Masters of Sex, srie de 12 episdios transmitidos sempre s segundas-feiras, s 21h, pela HBO, mostra a vida por trs dos criadores de mtodos hoje prosaicos de anlise sexual. O casal  vivido pelos timos Lizzie Caplan e Michael Sheen  ele na sua primeira atuao em srie televisiva.


10.7 EM CARTAZ  TEATRO - VERDADES E MENTIRAS
por Ivan Claudio
Com uma trajetria de mais de trs sculos de excelncia, a Comdie Franaise traz ao Brasil uma de suas mais recentes montagens: O Jogo do Amor e do Acaso (Sesc Pinheiros, So Paulo, 12 e 13/10; Cidade das Artes, Rio de Janeiro, 19 a 21/10), encenao do famoso texto de Marivaux, que estreou na Frana em novembro do ano passado. Escrita pelo dramaturgo especialmente para uma companhia italiana, essa pea foi incorporada ao repertrio da trupe parisiense em 1778  ou seja,  uma especialidade da casa. A trama trata de um casal vtima de um casamento arranjado por suas famlias que troca de papis com os respectivos criados para testar os seus sentimentos mtuos. Na viso do diretor Galin Stoev, Marivaux quis provar que para alcanar a verdade, ns somos inevitavelmente levados a lanar mo da mentira, o que vem a ser a essncia do teatro.  


10.8 EM CARTAZ  AGENDA - MODERNISMO/MONSTER OF ROCK/ELVIS
Conhea os destaques da semana
por Ivan Claudio

MODERNISMO
 (Estao Pinacoteca, So Paulo, at 22/12/2015)
 50 obras de Tarsila, Portinari, Di Cavalcanti e Volpi, entre outros, mostram as inovaes, 
 a retomada da tradio e o incio do abstracionismo no movimento

MONSTER OF ROCK
 (Arena Anhembi, So Paulo, 9 e 10/10) 
 A 5 edio do festival de rock tem como carro-chefe a banda Aerosmith. No line up aparecem ainda Slipknot, Korn, Limp Bizkit, Whitesnake e Queensrche

ELVIS
 (turn por oito capitais, at 31/10)
Visto por 50 mil pessoas em 2012, o show com teles HD e a banda original ao vivo passa agora por quase 
 o triplo de cidades


10.9 ARTES VISUAIS - LUZ FRONTAL
Julio Le Parc, pioneiro da arte cintica, ganha trs retrospectivas no Brasil no ano de sua consagrao internacional
Paula Alzugaray

PRECURSOR DO RAIO LASER - A instalao rotatria Continuel-lumire Cylindre, com verses expostas na Casa Daros e na galeria Nara Roesler,  feita com espelhos e uma s fonte de luz

2013  um divisor de guas para Julio le Parc. No comeo do ano, uma exposio individual do artista argentino, pioneiro da arte cintica, levou 170 mil pessoas ao Palais de Tokyo, em Paris. Agora, ele ganha trs exposies no Brasil. Com importantes instalaes, pinturas e desenhos realizados da dcada de 1950 at hoje, Uma Busca Contnua est em cartaz na galeria Nara Roesler desde 3 de outubro; a Carbono Galeria apresenta e coloca  venda uma coleo de mltiplos, todos inditos no Pas. E, no sbado 12, a Casa Daros inaugura 
 no Rio Le Parc Lumire, exposio antolgica das 30 obras que integram a coleo Daros Latinamerica. Le Parc sempre foi conceituado, mas entrou somente h trs anos na coleo do Centre Pompidou, e a exposio do Palais de Tokyo foi sua consagrao, diz Yamil Le Parc, filho do artista e curador da mostra na Carbono Galeria.

ANIMAO - Em Continuel Lumire (abaixo.), o argentino Julio Le Parc (acima) provoca o espectador a participar da obra

Hoje, aos 85 anos, Le Parc tem influncia e presena nas grandes colees internacionais. Este ano, ele vendeu seu monumental Continuel-lumire Cylindre, exposto no Palais de Tokyo (e com nova verso exposta na galeria Nara Roesler), para o colecionador francs Franois Pinault, megaempresrio dono de vincolas, grifes de luxo e meios de comunicao que tem uma das colees de arte contempornea mais poderosas e cobiadas do mundo. Mas nem sempre foi assim. Desde que chegou em Paris, onde se radicou em 1958, Le Parc  um artista experimental, com pouca afinidade com o mercado e o meio institucional.  mtica a histria de sua recusa em expor no Muse DArte Moderne de la Ville de Paris, nos anos 1970, em represlia  poltica cultural francesa.

LE PARC LUMIRE  OBRAS CINTICAS DE JULIO DE PARC / Casa Daros,  RJ, de 12/10 a 23/2/2014  JULIO LE PARC  UMA BUSCA CONTNUA/ Galeria Nara Roesler,  SP, at 30/11 JULIO LE PARC, MULTIPLES  1960-2013/Carbono Galeria, SP, at 11/11 

Havia uma mobilizao de artistas contra uma exposio de arte francesa que estavam organizando em segredo no Grand Palais, conta Le Parc. Ns pedimos para ser informados, mas as autoridades nos negaram acesso. Condenamos essa forma de proceder. Dentro desse contexto, me convidaram para fazer uma exposio no Muse DArte Moderne de Paris. Convoquei ento uma reunio com artistas, galerista, famlia, colecionadores e os funcionrios do museu. Foi uma ao. Li um texto e depois dei uma moeda para meu filho Yamil jogar. Deu negativa. Ento no aceitei o convite. A militncia por uma arte transitria e sem fins comerciais marcou a carreira de Le Parc desde o incio dos anos 1960. Sua produo evoluiu de estudos geomtricos bidimensionais em papel para pequenas caixas de luz e, depois, para instalaes de grande porte, ambientes imersivos e intervenes pblicas na rua. A importncia que deu  mutabilidade da percepo do espectador fez de Le Parc um pioneiro no apenas na arte cintica, mas tambm da participao do pblico na obra de arte. A animao  a estrutura formal intrnseca de toda a sua obra, que  infinita, ambivalente e instvel, diz Estrellita B. Brodsky, curadora adjunta de arte latino-americana da Tate de Londres e tambm da mostra na Nara Roesler.

A forte conotao poltica contribuiu para manter essa importante obra fora das grandes colees por algum tempo. Mas a histria comeou a fazer justia a Le Parc h pouco mais de dez anos, quando a coleo Daros Latinamerica comeou a se formar. Com curadoria do alemo Hans-Michael Herzog, a coleo adquiriu 30 importantes instalaes luminosas, realizadas desde os anos 1960. Esse impressionante conjunto foi reunido na exposio Le Parc Lumire, apresentada na sede de Zurique, em 2005, e agora na Casa Daros, no Rio. 

A Daros  muito meticulosa no cuidado com a obra. Alm disso, no  uma coleo imvel. Eles colocam a obra em permanente confronto e difuso, em exposies, conversas, livros, diz Le Parc. Paralelamente  exposio, a maior colecionadora da obra de Julio Le Parc exibe filmes sobre sua trajetria, publica um livro de 256 pginas e promove encontro do artista com pblico no dia da abertura.

